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Economia da violência: quanto custa a insegurança no Brasil

Rio de Janeiro 20/08/2025 09h00 - Por Paulo Ricardo

A violência brasileira deixou de ser apenas um problema de segurança pública para se tornar um dos maiores entraves ao desenvolvimento econômico, drenando bilhões de reais em recursos, reduzindo a produtividade, desestimulando investimentos e comprometendo o futuro de um país que continua pagando o preço da insegurança.

A violência no Brasil não é apenas um drama social ou policial. É também uma das maiores barreiras ao desenvolvimento econômico. O país convive com índices alarmantes de criminalidade que drenam recursos públicos, afastam investidores e corroem a confiança da sociedade. O resultado é uma economia permanentemente penalizada por um custo invisível: o da insegurança.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os gastos diretos e indiretos com violência representam cerca de 5,9% do PIB nacional — mais de R$ 450 bilhões ao ano. Esse montante inclui despesas com saúde, perdas materiais, sistema prisional, custos empresariais com segurança privada e impactos sobre a produtividade. Em outras palavras, a insegurança no Brasil custa quase o dobro de todo o orçamento anual da educação.

Empresários apontam que a violência influencia desde a decisão de abrir uma filial até a escolha de investimentos externos. Cadeias de logística enfrentam assaltos constantes, redes varejistas gastam bilhões em segurança e pequenas empresas desistem de expandir por falta de proteção. Some-se a isso o impacto psicológico: trabalhadores que convivem com medo diário são menos produtivos e mais propensos ao adoecimento.

Não se trata apenas de aumentar policiamento ou endurecer penas. É preciso atacar as causas estruturais: desigualdade, evasão escolar, falta de oportunidades para jovens e ausência de políticas de prevenção eficazes. Investir em educação, capacitação profissional e projetos sociais é, na prática, investir em segurança econômica.

A violência brasileira não é destino. É fruto de escolhas políticas, ou da falta delas. Cada assalto, cada morte e cada comércio fechado representam não apenas vidas interrompidas, mas também a materialização de um modelo que prioriza o enfrentamento bélico em vez da prevenção social.

O país gasta bilhões todos os anos em segurança, seguros, vigilância privada, perdas econômicas e danos patrimoniais. São recursos drenados da sociedade que poderiam estar construindo escolas, ampliando acesso à saúde, financiando oportunidades de trabalho e garantindo dignidade nas periferias.

Transformar esses bilhões desperdiçados em custos de insegurança em bilhões investidos em políticas de inclusão não é apenas uma questão de justiça social, mas de inteligência econômica. Ao investir em educação de qualidade, em programas de capacitação, em infraestrutura urbana e em oportunidades reais para jovens, o Brasil pode reduzir drasticamente a criminalidade e liberar a energia produtiva de milhões de pessoas que hoje vivem à margem.

Só assim o país poderá liberar o verdadeiro potencial de crescimento que há décadas é sequestrado pelo crime e pela omissão do Estado. A violência não pode continuar sendo tratada como uma fatalidade. Ela é uma escolha política, e pode ser revertida por outras escolhas, mais humanas, mais eficazes e mais justas.

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